O grande pensador da nova esquerda
vê a globalização como uma arma do povo. Celebra a Multidão sem fronteiras. E
diz que Lula "vencerá"
Entre o público e
o privado, o filósofo italiano Antonio Negri fica com o comum, o espaço onde se
mobiliza e se movimenta a Multidão. Considerado o grande pensador da nova
esquerda mundial, Negri afirmou, em entrevista exclusiva ao Estado, que o
terceiro mundo não está mais ao Sul do Equador, mas em todo lugar, inclusive nos
países desenvolvidos. "O furacão nos mostrou essa realidade monstruosa: ele está
em New Orleans". O filósofo-coqueluche da Europa diz que o mundo globalizado do
século 21 está, afinal, unificado, mas movido por dois vetores que se confrontam
e se complementam, como yin e yang: de um lado, o Império e, de outro, a
Multidão.
A globalização gerou o Império, o sistema que controla a produção e o fluxo
econômico, mas também abriu as fronteiras nacionais e mundializou as relações
pessoais, gerando a Multidão, a nova revolução das pessoas que se comunicam
furiosamente, fora do controle de qualquer Estado, sem o estímulo das velhas
ideologias e sem as limitações das fronteiras nacionais, que caminham para a
extinção. Antonio Negri, 72 anos, inventor do Potere Operaio, exilado por 16
anos na França e preso por 6 na Itália - e que chega ao Brasil no dia 22 de
outubro - diz que assim é o mundo novo.
"Estou convencido de que é o comum que nos permite ampliar as liberdades",
afirma ele, quebrando pilares centenários da velha esquerda que já perfilhou com
ardor e pregando um novo pensamento comunitário: "A Multidão não é
revolucionária", agrega, "mas ela pode construir uma consciência de
transformações profundas". Com o americano Michael Hardt, da Universidade de
Harvard, ele é autor dos dois livros mais instigantes dos últimos anos: Império,
que conceituou o sistema de dominação consolidado pela globalização; e agora
Multidão (Editora Record), que será lançado dia 24, no Rio, e que explica o
efeito das comunicações globais sobre a Multidão, a grande "assembléia-geral
mundial" do século atual.
Negri defende o presidente Lula à direita e à esquerda. Diz que o presidente
brasileiro é "muito melhor" que a esquerda cega que ainda se agarra a conceitos
superados, como imperialismo e colonialismo. Ele não se assusta com os
escândalos na base parlamentar do governo e diz que "democracia representativa é
isto mesmo". Põe ênfase na voz e dá um cheque em branco a Lula: "É provavelmente
o menos corrupto de todos os governantes que conheço". Por fim, afirma que Lula
rompeu as regras da globalização quando fechou as contas do FMI e ao estabelecer
linhas de relacionamento Sul-Sul - e que isso trouxe repercussões globais.
Para completar as marteladas na esquerda, Negri detona a velha e sacrossanta
classe operária: diz que ela é "fechada sobre si mesma", foi organizada pelo
capital, excluiu os pobres e as mulheres e atua "dentro de um conceito
diretamente produtivo". A Multidão, observa com fé, é mais abrangente: inclui
mulheres, pobres, imigrantes, e compreende todos aqueles que produzem no terreno
social, e não somente sobre o terreno industrial. "Esta é a grande diferença",
comemora.
Negri decreta que o século americano acabou e que o presidente George Bush
não conseguiu fazer com que a guerra se tornasse um elemento de legitimação do
Império. "Hoje a guerra continua na agenda deles, mas a resistência da Multidão
os impediu e continuará impedindo". Esse filósofo cáustico, que desafia a lógica
do marxismo e navega num zênite original, criando novas âncoras do pensamento
social, cultivou a ira do Fórum Social Mundial ao pregar que a esquerda não
podia ignorar ou combater a globalização. A globalização, alega, é irreversível.
Ela existe e, mais que existir, pode se transformar em arma do povo reunido na
Multidão. Eis a entrevista:
Em 2003, quando veio ao Brasil, o senhor disse ter a impressão de que Lula
estaria aceitando as regras da globalização. Dois anos depois, o que pensa a
respeito?
Hoje eu estou convencido de que Lula tem sido capaz de romper as regras da
globalização. Lula e o governo brasileiro têm sido capazes de uma operação que
raramente - e só muito raramente - foi possível a governos de grandes países, no
âmbito da globalização. Estou falando do rompimento com o estatuto da
dependência. Isso se deu através de duas operações fundamentais. De um lado, o
acerto de contas com o FMI; de outro, a abertura, extremamente importante, de
uma linha Sul-Sul. Portanto, as operações feitas por Lula inventaram uma
novidade, ao quebrarem a centralização que o unilateralismo americano impunha à
globalização. Esses são dois êxitos de importância global, e sua relevância
internacional é muito maior do que os ganhos que o Brasil auferiu com elas.
O Brasil vive, há quatro meses, sob um enorme escândalo político na base
parlamentar do PT e do governo. Isso é um sinal de decadência da esquerda ou da
democracia representativa?
(Ri) Trata-se da revelação da natureza da democracia representativa, que,
como os estudiosos sabem, foi fundada sobre regras de corrupção. Essas regras da
corrupção são inevitáveis no âmbito de um sistema que, em vez de representar os
interesses das massas - alguém diria populares, mas eu uso pouco essa
adjetivação, prefiro dizer dos interesses da Multidão - dentro do governo, faz
com que elas se manifestem através de uma representação, que inclui uma
expropriação do poder na representação política, uma forma de representação que
foi inventada há muitos séculos. Desde o nascimento do sistema capitalista, essa
representação se mostrou muito útil aos interesses do desenvolvimento
capitalista, porque se baseia numa série de referências de poder estranhas ao
Parlamento, como o poder da mídia e das empresas multinacionais. Desse ponto de
vista, vejo o governo democrático de Lula provavelmente como um dos menos
corruptos entre todos os que eu conheço, do governo americano de (George W.)
Bush ao governo italiano de Silvio Berlusconi. Não consigo entender por que a
indignação pôde chegar a níveis tão altos.
Esse escândalo dificulta a trajetória da esquerda no Brasil e na América
Latina?
No livro que publico agora com Giuseppe Cocco, Global - Biopoder e luta numa
América Latina globalizada, critico a esquerda latino-americana, essa esquerda
que ainda se prende a conceitos de dependência, e que não é a esquerda de Lula.
Por causa da sua total incompreensão sobre os reais problemas da globalização,
diria que é uma esquerda cega, que reproduz, no que diz respeito às formas de
transformação no Brasil, um antigo esquema eurocêntrico. É uma esquerda que,
presa aos conceitos de imperialismo e do colonialismo, nunca entendeu os grandes
processos da globalização e da modernização. Lula é enormemente superior a essa
esquerda.
Por que a esquerda, em geral, tem uma dificuldade colossal de administrar o
poder com democracia?
Não diria que a esquerda tem uma dificuldade colossal em administrar o poder
com democracia. Ela tem seguido, isso sim, os velhos critérios da democracia
burguesa representativa. Insisto, não consigo entender a indignação de vocês no
Brasil. Na Itália, temos um patrão. A pessoa mais rica do país é o dono do
Estado e, ao mesmo tempo, da televisão e dos jornais. Por isso, não consigo
entender a indignação de vocês. Vocês têm de entender que democracia é isto
mesmo, e não uma outra coisa. É um sistema de representação que delega poder a
alguns indivíduos mais ou menos corruptos. Lula é o menos corrupto de todos
aqueles que estão no poder. O seu grande defeito foi confiar na democracia e não
usar, como faz (o primeiro-ministro Silvio) Berlusconi, operações financeiras
para dominar o capital dos grandes jornais.
Mas Lula bem que tentou aprovar leis para controlar a imprensa.
A ingenuidade de Lula foi, governando neste regime, não criar condicionantes
para as grandes cadeias de televisão e a mídia. Ele precisa ser realista nisto.
Eu sou completamente maquiavélico. O poder é o que é, essa imundície na qual
estamos mergulhados, mas que, de qualquer forma, precisamos controlar.
O senhor acha que Lula fez avançar as conquistas da esquerda na América
Latina?
Eu acredito que a democracia latino-americana conquistada através de Lula é
irreversível. Lula vencerá. Vencerá! E eu espero que, no próximo governo, ele
consiga mobilizar os movimentos sociais por dentro e não simplesmente atrelá-los
ao governo. Eu penso que as grandes forças sociais, e sobretudo as grandes
forças sociais da Multidão, populares, étnicas, possam movimentar-se dentro do
âmbito do governo. Eu espero que tudo isso venha a acontecer no novo mandato que
Lula terá. E quando estiver no Brasil insistirei, onde quer que seja, e sempre,
sobre este tema. Lula não é um ditador, nem é um corrupto, é um homem que
conseguiu construir uma nova idéia de democracia para a América Latina inteira.
É o único que trouxe uma proposta renovadora e a apresentou em condições
realistas, começando por um nível mundial, um nível global. Ora, esta burguesia
brasileira, que esfacelou o País e que, também, destruiu, em vários momentos, a
capacidade de governar de alguns de seus melhores quadros, agora é quem se
indigna, querendo retomar o governo. O que seria esse governo da burguesia senão
corrupção, organizado para obstaculizar a renovação e favorecer o seu próprio
bolso?
O senhor disse que lançará, no Brasil, em parceria do professor Giuseppe
Cocco, um livro sobre os efeitos da Multidão nos países em desenvolvimento. Como
se formará e se manifestará a Multidão nesses países?
Falar hoje de "países em desenvolvimento" é já muito redutivo. Nos EUA, por
exemplo, New Orleans passou a ser um país em desenvolvimento. O tufão revelou
essa realidade monstruosa - o terceiro mundo está em qualquer lugar. Você pode
encontrá-lo em Los Angeles, em New Orleans, na periferia parisiense e em todos
os países desenvolvidos. Hoje a discussão sobre o mundo em desenvolvimento é um
problema de cada governo e este problema revela a natureza da esquerda ou da
direita: a direita finge não vê-lo, a esquerda o considera. A esquerda que vale
a pena, a esquerda necessária o tem na conta de primeiro problema a resolver.
Mas se você disser tudo isso a grupos dirigentes do primeiro e do terceiro
mundos, vai parecer incorrer em total contradição. Porque para muitos
governantes esses problemas não existem. Uma das coisas mais características da
globalização é justamente a generalização e a homogeneização desses problemas. O
MST não existe apenas no Brasil, existe em vários lugares, nos países
desenvolvidos e em desenvolvimento. Em todos os lugares há uma aspiração de toda
uma população a se tornar cidadã.
Como funciona a evolução das massas nos países em desenvolvimento?
Esta é uma pergunta de um milhão de dólares... (ri) Há quem dê a esta
pergunta a resposta do islamismo, isto é, "tomemos o petróleo". Mas existem
outras respostas bem mais sérias. Há aqueles que dizem: precisa haver igualdade.
Precisa haver igualdade. E, uma vez que o novo modo de produção se baseia
essencialmente em formação e informação, é necessário construir meios formadores
e informáticos que sejam comuns, isto é, é preciso construir escolas e grandes
redes de comunicação, os meios que nos permitem viver e produzir, renovar e
aumentar a nossa riqueza. Esses são os projetos em torno dos quais podemos
desenvolver e construir realidades comuns, deixando as privatizações de lado.
Deixar de privatizar, não para tolher a liberdade - não é verdade que as coisas
privadas garantam a liberdade. E digo mais: nem mesmo o regime público nos
permite ampliar a liberdade. Eu estou convencido que o comum é que nos permite
ampliar a liberdade. E este comum é a Multidão, que é a resposta à sua pergunta.
Em nossa civilização, nós fazemos três-quartos das coisas do nosso cotidiano sem
a presença do Estado. São coisas que fazemos dentro do patamar de liberdade das
relações que estabelecemos entre nós. E a riqueza disso está na abundância das
nossas relações sociais. Isto é o que importa: o comum. O comum é a coisa mais
simples e bem repartida que existe no mundo, são as ruas, as escolas, os
idiomas, todas as coisas de que nem sempre nos damos conta, mas que devemos
administrar no nosso dia-a-dia.
Há dois anos o senhor disse que era preciso impedir que a guerra se tornasse
um elemento de legitimação do Império. Depois de dois anos, a situação piorou?
Não, não piorou. A guerra não se tornou um elemento de legitimação do
Império. Ou melhor, as forças unilaterais, os americanos, pensaram em legitimar
o Império, ou o seu domínio sobre o Império, usando a guerra. Mas perderam a
guerra, Bush perdeu a guerra. Hoje a guerra continua na agenda deles, mas a
resistência da Multidão os impediu e continuará impedindo.
Como será a sociedade global que emergirá da Multidão?
Isto eu não sei, não sou um profeta. Para mim a Multidão é simplesmente uma
definição daquela que é a realidade atual das classes produtivas no mundo. Não
escrevi o manifesto do partido comunista global. Eu nunca disse que a Multidão,
enquanto tal, é revolucionária. A Multidão não é revolucionária, mas também digo
uma outra coisa: que ela, a Multidão, pode construir uma consciência de
transformação profunda. Porque o conceito é este, não podemos confundir a
realidade das transformações do mundo com a ilusão de uma mudança. As
transformações já começaram a acontecer.
Qual a diferença entre classe operária e multidão? E entre população e
multidão?
A classe operária é uma classe fechada sobre si mesma, organizada pelo
capital, exclui os pobres, exclui as mulheres, em boa parte, e atua dentro de um
conceito diretamente produtivo, a nível do sistema industrial. A Multidão inclui
as mulheres, os pobres, os imigrantes; compreende todos aqueles que produzem no
terreno social, e não mais simplesmente sobre o terreno industrial. Esta é a
grande diferença. Se existe alguma diferença da Multidão com as populações - e
neste ponto eu preciso explicar bem - é quanto às populações nacionais. Hoje, um
discurso dirigido objetivamente para as populações nacionais não é mais
possível. Os fenômenos migratórios são enormes e modificam, miscigenam,
transformam as populações em, praticamente, todos os países do mundo.
Em seu livro Multidão há interessante discussão sobre a legitimação da
violência. Não seria mais correto dizer que nenhuma violência pode ser legítima
entre homens e nações?
Não há no livro a legitimação da violência, eu digo simplesmente que a
violência é uma coisa normal. E me parece completamente banal que, em países
como o Brasil - onde não sei bem qual o porcentual de pessoas que são
assassinadas por ano, parece um porcentual muito alto, a despeito da grande
quantidade de habitantes do Brasil -, se diga que a violência não existe .
No começo do livro o senhor diz que a possibilidade de fazer a democracia
global acontece agora pela primeira vez. Como se fará essa democracia? Ela será
feita, a seu juízo, por uma revolução lenta, um processo gradual?
O mundo está finalmente unificado e que a mundialização que experimentamos
hoje é profundamente diversa daquela que o capitalismo conheceu a partir do
século 16. Em primeiro lugar porque hoje os fluxos de informações, de finanças,
de comandos e o político cruzam o mundo de maneira mais ou menos homogênea. A
isso corresponde uma série de movimentos de informação, de mobilidade, de
conhecimento e de inovações a que se coligam aqueles que são verdadeiramente
produtivos. Isto é, não se produz mais apenas na fábrica da periferia de São
Paulo. Hoje se produz no mundo todo, através da informação. A riqueza não é mais
uma coisa produzida em um lugar, mas em espaços que são sempre definidos de
maneira nova e diversificada.
Como a Multidão pode tirar proveito da globalização?
Quando eu falo de globalização e da Multidão, estou falando de uma nova
organização do espaço e do tempo. A primeira questão é compreender a capacidade
desestabilizadora, de ruptura, da velha estrutura moderna do poder. Os velhos
governos não agüentam mais. O governo Lula foi extremamente importante porque
mexeu nesse terreno. Seja como for, o governo Lula tem sido infinitamente mais
inteligente do que foi o governo de outro grande personagem, Fernando Henrique
Cardoso, que se movimentou apenas sobre uma questão nacional. Este é o problema.
Quando dizem, por exemplo, que Lula não fez senão realizar as coisas que Cardoso
havia intuído, de um certo ponto de vista isto é verdade. Mas de outro ponto de
vista, soa falso, porque Lula jogou o seu poder sobre o nível global e não
simplesmente na hipótese da revalorização monetária ou da invenção do Real. Esta
foi uma diferença extremamente importante.
Como se fará o processo de formação da consciência das pessoas que farão a
revolução da Multidão?
Eu não sei. A propósito, uma coisa que tenho notado na Europa é que a febre
das privatizações passou completamente. Recorrer ao Estado é a maneira mais
antiga, mais velha, além de ser própria das posições políticas hegemônicas. É o
eterno jogo entre o público e o privado, entre a apropriação individualista, do
individualismo possessivo, e a entrega ao Estado da defesa dos próprios
interesses. Veja, são coisas que não me agradam, porque, na realidade, entre
elas existe o comum. Hoje (terça-feira passada), aqui em Paris, onde estou, há
uma grande greve geral dos trabalhadores, não sai um trem de metrô, as lojas
estão todas fechadas. Nós, a Multidão, já nos reconhecemos como uma comunidade
verdadeira e não queremos mais ter patrões. Não é que exista, no coração dessa
comunidade, a igualdade chata e brutal dos sistemas totalitários, mas também não
pode ser objeto de discussão que, quando saímos à rua, nós precisamos usar um
meio público - e eles não podem ser paralisados. O conceito de segurança, pois,
é um conceito onde tudo é medido pela satisfação e desejo dos cidadãos, e não
pode ser tomado, apenas sob o ângulo da defesa contra o terrorismo. São
mistificações horríveis.
Se mais adiante o Império descobrir fórmulas insuperáveis para controlar a
internet, a revolução da Multidão se exaure, estará abortada?
Eu não sei. No momento, o que tem me divertido muito é o fato de que a Europa
quer tirar dos EUA o controle da rede. Como você sabe, hoje a rede é controlada
pelos EUA de maneira absolutamente monopolística. Mas, por hipótese, hoje é a
Europa quem quer assumir esse controle, amanhã pode ser que o Brasil queira. E
provavelmente haverá tentativas da parte de uma cadeia de Estados do Sul, a
África, a Índia e a China. Entende? Esta coisa é extremamente importante: o
século americano acabou.
A Multidão poderá resgatar o conceito de sobriedade, digamos, em relação ao
consumo?
Nesta questão eu sou muito cauteloso. Nunca fui um anticonsumista. Creio que
muitas vezes o anticonsumismo foi imposto, de uma maneira dura, às populações.
Penso que existem níveis de consumo necessários à reprodução da vida e ao
enriquecimento do saber que são absolutamente fundamentais. Eles não podem, de
nenhuma forma, ser reduzidos a um estado de subconsumo.
Refiro-me a um consumo mais crítico, e não ao consumo mecânico.
Sobre isso estamos completamente de acordo, mas por outro lado, você sabe
muito bem que, ao cabo, qualquer posição anticonsumista acaba sendo tomada como
uma posição anticapitalista.