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Livro mostra Brasil cosmopolita

by julmonachesi last modified 27/06/2005 05:50

Tadeu Chiarelli, curador-chefe do MAM-SP, lança volume com textos publicados em revistas, jornais e catálogos [ilustrada, 02/09/1999]

JULIANA MONACHESI
free-lance para a Folha

O título do livro é emprestado de uma fala de Amilcar de Castro em relação à pergunta "existe uma arte nacional no Brasil?". O artista respondeu que acredita em uma arte internacional brasileira. Tadeu Chiarelli, curador-chefe do MAM, aprofunda essa teoria sobre a produção brasileira contemporânea no livro "Arte Internacional Brasileira", que lança hoje em SP, e do qual falou em entrevista à Folha.

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Folha - Você conta a história da arte brasileira da perspectiva do embate entre uma arte com identidade nacional e uma arte, ainda que tendo um filtro local, densa e autônoma, essa que você denomina "arte internacional brasileira". Quando foi e por que foi que a arte brasileira se internacionalizou?

Tadeu Chiarelli - Um momento fundamental para a arte brasileira foi o final dos anos 40, início dos 50, com o surgimento do Museu de Arte Moderna de São Paulo, os outros museus e a Bienal, porque foi a partir dela que o artista brasileiro e o público brasileiro de uma maneira geral puderam ver frente a frente a produção artística internacional de todo o século 20.

Isso abriu as possibilidades para que o artista brasileiro pudesse direcionar sua obra para um embate efetivo com a produção internacional, o que proporcionou o início de um diálogo e de uma ampliação do próprio conceito de arte contemporânea.

Folha - Você afirma no livro que em determinado ponto ela transcendeu essa querela "nacional versus internacional".

Chiarelli - Sem dúvida. Acho que o que fez de fato a arte brasileira acontecer no pós-guerra foi ela deixar de se preocupar com essa questão da identidade nacional, que vinha desde o século 19. Uma vez que, a partir do final da segunda guerra mundial, isso é colocado de lado, os artistas têm a oportunidade de, livres dessa questão, articular um discurso plástico que pode ampliar o conceito de arte internacional.

Folha - É frequente historiadores de arte e curadores tentarem mapear a produção contemporânea no Brasil. A terceira parte do livro, que trata de artistas atuais, teve esse objetivo?

Chiarelli - O livro está dividido em três partes. No primeiro bloco são discutidas as questões mais gerais da arte brasileira, obviamente do meu ponto de vista, que é sempre uma interpretação desse fenômeno geral. Na segunda parte, me dedico a alguns poucos artistas modernistas.

A terceira parte, na verdade, são desdobramentos de certas questões levantadas na primeira parte. O que me levou a exercer uma reflexão sobre esses artistas foi o fato de que eles mostravam certas soluções que ampliavam os problemas que eu vinha debatendo do ponto de vista mais teórico, da história da arte e da crítica.

Um mapeamento é sempre um viés. Esse mapeamento se pauta em um olhar circunstanciado que é o meu, em São Paulo, no final do século 20. Quer dizer, a pretensão aqui não é contar toda a história da arte no Brasil, mas mostrar a possibilidade de refletir a partir de um olhar determinado.

Folha - Nesses 20 anos de trajetória no circuito das artes brasileiras _como estudante, professor, crítico e curador_, que méritos e defeitos você vê?

Chiarelli - Acho que o grande problema da arte brasileira está no circuito artístico, na institucionalização. Acho que nossos museus são precários, nossos acervos públicos são precários, nem os profissionais responsáveis nem os políticos se dão conta da importância da produção artística brasileira, que é extremamente viva e significativa para compreender a arte internacional.

Acho que o que falta é um reconhecimento por parte das instituições e o reconhecimento das instituições artísticas, pois são elas na verdade que podem dar o suporte para o artista produzir.

Eu acho, por outro lado, que a minha geração de profissionais na área dos museus, na área das instituições artísticas de uma maneira geral, aponta para uma vontade política efetiva de constituir um circuito que dê condições para que a arte brasileira possa mostrar sua potencialidade.

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