Views
O Suicídio Assistido - Uma Análise de "Sin City"
O presente ensaio desenvolve uma análise do filme “Sin City” procurando identificar e explorar a partir da obra: (i) traços distintivos da chamada “cultura de redes”; (ii) de que forma temas como “convergência x divergência” das mídias e “cópia x original” se colocam neste âmbito; e por fim (iii) um certo “travo” existencialista que, acredito, marca os personagens.
1.Sociedade de Redes e Cultura
A emergência da sociedade de redes, como caracterizada por Castells [CASTEL]? e Terranova [TERRA]?, operou transformações cruciais nos modos de perceber e experienciar categorias e dimensões do mundo como natureza, espaço, tempo e corpo. Entender de que forma estão inseridas no contexto atual de aceleração e fragmentação da vida, nos ajudará a “ler” e entender melhor “Sin City” via-à-vis o fenômeno da “cultura de redes”.
A Natureza como Forma Cultural
O modo ocidental de ver a natureza lança raízes na antigüidade grega. Para os gregos, a natureza (phýsis) era um princípio originário criador do qual surgiam, se transformavam, e no qual pereciam todos os seres. Opunha-se ao domínio da phýsis (2), o nómos, ou seja, leis e costumes; enfim a cultura. Porém, também em relação à natureza colocavam-se a arte e a técnica como ofícios de fabricação (3) do que não estava dado na natureza [SPONV]? [CHAUI]?. Vista como estado de bestialidade ou como fonte de pureza e autenticidade, a Natureza na concepção ocidental sempre teve como base esse dualismo. O quadro de transformações sociais, culturais e ideológicas que o capitalismo provocou nos últimos 50 anos trouxe-nos mudanças [HARVEY]?. A natureza enquanto pólo autônomo, puro objeto cognoscível, encontra-se em extinção. Já não habitamos a Natureza, seja como dominados, dominadores, bestas ou poetas. O filo maquínico transpassou a biologia e a história e os limites ficaram menos evidentes [REIS]?. O conceito de natureza (4) tornou-se elástico e múltiplo. A cosmologia nos fala de uma natureza, a biologia molecular fala-nos de outra. A natureza será o que dela fizermos através das práticas e combates no interior das culturas. Que o digam os laboratórios de genética com seus peixes fosforescentes e ratos de orelhas às costas.
A Compressão Espaço-Tempo
A sociedade de redes, suas configurações sociais e sua práticas, vêm operando e fixando novas percepções do espaço e do tempo. O espaço já não é mais entendido e vivido apenas como um “domínio de lugares” à moda de Leibniz que o definiu como uma “ordem de coisas co-existindo ao mesmo tempo”. O espaço torna-se um “domínio de fluxos” combinados em camadas por onde fluem impulsos elétricos, capitais, signos e pessoas. Fluxos compreendidos como seqüências de trocas entre pontos disjuntos, materialmente organizando as práticas sociais [CASTEL]?. Lugares “seguram” o tempo, fluxos o dissolvem. O tempo não mais se apresenta como apenas o plano do passado/presente/futuro, mas como “tempo atemporal” (timeless time), simultâneo, não-seqüencial. Essa nova experiência tem sua máxima expressão nos fluxos midiáticos hibridizados e eletronicamente mediados (computador, TV). Desta forma, pessoas e lugares são sincronizados (a um só tempo, não importa onde estejam) em contextos (as telas) de “colagem” que, por assim dizer, atenuam o ritmo cronológico, induzindo novos modos semióticos de interação social, assim como novos modos e estados cognitivos e psicofisiológicos [SANTA]?. O tempo físico, cronológico, é apenas um dos tempos sociais, múltiplos e combináveis, do turbocapitalismo. Tal como o tempo físico, que é relativo ao observador – como nos mostrou Einstein – o tempo social é flexível. Efêmero, mas também eterno [CASTEL]? [SODRE]? [HARVEY]?.
Hibridização
Castells chama a atenção para as especificidades das novas formas de expressão cultural presentes no âmbito das sociedades de rede, e suas correlações com a vivência do “tempo atemporal” a que nos referimos. Meios intensivos em tecnologia têm viabilizado práticas culturais que reciclam formas e conteúdos, hibridizando-os e constituindo novas “gestalt semióticas” [SANTA]?. Imagens, ritmos e símbolos são deslocalizados, desmontados e atemporalizados numa lógica frenética de sampling. As mídias, liberadas pela revolução digital de seu aprisionamento físico, tornam-se interfaces culturais, isto é, modos de estruturar a memória e a experiência humanas. Caso exemplar é o da linguagem de HCI (Human Computer Interface), com seu toolbox de “metáforas e estratégias de organização da informação”, que há tempos vêm contaminando a mídia impressa, como aponta Manovich [MANOV]?. DJ Spooky revela: “...isso já foi chamado de alquimia, porém no ambiente hiperfluido da cultura da informação, nós simplesmente chamamos isso de mix” [MILLER]?. Beiguelman [BEIGUE]? vai mais longe e já identifica o potencial rompimento da identidade entre suportes e conteúdos, como decorrência da aplicação das práticas cíbridas da emulação e fragmentação da leitura. O que nos diz tudo isso? Fala-nos de um novo quadro mental, de um certo “espírito de época”, conformador de representações (cognitivas e oníricas) do eu e do coletivo. Onde havia metáforas, agora metonímias (combinação de partes). Onde havia meios (o original), remediações (originais de segunda geração). Onde antes copyright (autor) agora copyleft (compartilhamento). Uma vez mais DJ Spooky com a palavra: “mixing tem a ver com criar interpolações suaves entre objetos de pensamento para forjar uma zona de representação na qual o jogo entre ‘um’ e ‘muitos’, original e seu duplo vem à tona”. Há palavras-chave que, como resultado, gostaria de destacar: emulação, interpolação e metonímia. Melhor equipados, agora, vamos a “Sin City”.
2.Uma Alegoria Crítica da Sociedade de Redes
“O inferno é acordar todos os dias sem saber porque se existe”, Marv
“Sin City” é uma fala pessimista sobre o pós-humano [KIM]? [KUNZ]?; e uma extravagante alegoria sobre o “espírito de época” implícito na cultura de redes. Vejamos de que forma isso se dá e, procurando responder a Beiguelman [BEIGUE2]?, porque Kant gostaria de "Sin City".
Natureza e Cultura em “Sin City”
“Sin City” só retém um vestígio da dualidade natureza/cultura, entendidas como categorias antropológicas: a morte. E mesmo aqui a anomia e a amoralidade fazem deste evento biológico um ritual da cultura. Fuzilamentos, decapitações, atropelamentos e dilacerações são atos simbólicos que projetam a cultura no campo da natureza. Exemplo: um dos personagens ao levar uma flechada que transpassa o peito desata a falar do seu próprio ridículo. Outro exemplo: Jackie Boy (Benicio del Toro). Este, mesmo depois de morto, mantém-se vivo! Chega ao paroxismo de falar e caçoar da situação como se morrer não fosse possível. É como se, em “Sin City”, para morrer fosse preciso querer, e muito! A morte não é apenas um fato biológico; é, de certa forma, uma decisão pessoal do morto-vivo. Marv é atropelado, metralhado, e só morre quando decide morrer. Hartigan só morre quando se suicida. Jackie só morre quando perde a cabeça – literalmente. Essa quase-imortalidade parece um castigo reservado a alguns. Serão ciborgues ou inumanos de sangue ora branco, ora vermelho?
Hibridização
Não quero falar sobre quanto o filme é devedor da linguagem dos quadrinhos ou dos filmes noir. Quero falar que o herói Marv e os vilões Jackie Boy e Junior/Yellow Bastard não são humanos, são entre-humanos. Remontáveis, hábeis, velozes, extremamente resistentes e imunes à dor intensa. Estão, por isso, além do humano biológico. Mas são também amorais. Isso os faz estar aquém do humano cultural. Estão portanto a meio caminho. Contudo, ainda reconhecemos vestígios dos humanos nesses personagens. De certa forma eles emulam comportamentos e atitudes humanas. Chegamos ao ponto: Marv, Jackie e Yellow Bastard são híbridos bio-culturais. Não são cópias porque são singulares. Não são originais porque são reciclagens, colagens de partes, restos e detritos simbólicos humanos. Vejam Jackie Boy: ele é uma caricatura dos desacertos humanos. A síntese da anomia ironicamente vivida por um “homem-da-lei”. Falo aqui não da anomia jurídica (faltar para com a lei) mas da anomia social, num sentido próximo ao de Robert Merton (5). Todos nós já vimos “partes das partes” de Jackie Boy em outros contextos, seja no cinema ou na vida. Esses personagens são ciborgues ancestrais como Frankstein o era (6). Como já disse, são entre-humanos. São uma alegoria bizarra daquilo que nossa cultura poderá se tornar ao imergirmos “sem crítica” nas práticas alquimistas do efêmero. Práticas em que as partes, fora de tempo e lugar, metonimicamente, “falam” por si (a cabeça falante de Jackie Boy) e pelo todo (o panachê de Spooky). Vale ressaltar que não é por acaso que o corpo humano é objeto de usos e abusos no filme. O corpo humano veio a tornar-se o locus físico da cultura do efêmero e do eterno, do tempo atemporal. Nossos corpos existem às partes e como tal são vivenciados e retificados. A bunda arrebitada no silicone, o nariz refeito, os implantes mais perfeitos que o original. Enfim, partes e partes que por si falam de humores, frustrações e desejos. Na cultura do sampling, as partes falam pelo todo. DJ Spooky again: “...redes transformam a criação individual num kit de partes intercambiáveis, blocos de Lego da consciência em um mundo que se move sob o signo da transformação contínua e das perspectivas atomizadas”. Substitua a expressão “criação individual” pela palavra “corpo” e... bingo, você entendeu o que eu disse. “Sin City” é uma antiutopia que leva as figuras metonímicas às ultimas conseqüências.
Por que Kant gostaria de “Sin City”?
Kant considerava as artes finas (7) - como poesia, música e pintura - um tipo de produção humana deliberada (uma finalidade sem propósito) na qual a artificialidade estaria “disfarçada”, aparecendo como natural, isto é, livre de convenções (8). Para Kant, as artes (i) não lidam com a beleza enquanto propriedade objetiva do mundo e das coisas; (ii) devem perseguir a naturalidade; e (iii) resultam do gênio artístico que dá alma à obra (no sentido de nobreza e profundidade) ao expressar uma idéia estética por meios e técnicas de produção (9). Note-se que Kant elaborou uma visão da genialidade artística como dom singular, impossível de ser imitado, ensinado ou aprendido porque é concedido pela mão da natureza” (10). O talento artístico assim governaria a produção da obra, conferindo-lhe indispensável originalidade.
Por outro lado, o tema da “imitação” para Kant é tratado ora como relacionado às atividades de emulação do gênio artístico por seus aprendizes, ora como simplesmente dizendo respeito ao gosto (11) - que precisa ser comunicado para que possa ser compartilhado - e não ao juízo estético. Este último, por sua vez, opera com base na harmonia entre a imaginação e o entendimento, na ‘captura’ (o termo é meu) da idéia estética forjada pelo talento de seu autor.
Tendo isto em consideração, “Sin City” é uma obra que prima pela imitação/citação/adaptação da linguagem dos quadrinhos (planos, iluminação, etc), do estilo empolado dos atores de filmes noir dos 40, dentre outros remix. Emprego intensivo de colagens como elementos construtivos. Porém, paradoxalmente, a imitação explícita é, ao final, o seu traço de originalidade, a “alma” (12) da obra como chamaria Kant.
“Sin City” é genial porque, ao reciclar, confere falsa naturalidade/originalidade ao que é o seu real propósito: não ser natural/original. O filme proclama que não há, nas sociedades de massas, naturalidade/originalidade possível. Mais: não há gênios kantianos, mas imitadores criativos.
O "prazer" que “Sin City” proporciona é justamente aquele que Kant acredita presidir a experiência estética : a harmonia da imaginação (como uma força produtiva da cognição) com o entendimento. Em resumo, “Sin City” é um filme em três camadas: na primeira, entretenimento puro à la videogames; na segunda, denúncia da estupidez humana; e na terceira, uma reflexão de segunda ordem, à base de temas “kantianos” (originalidade, imitação, autor, finalidade da arte), que fala contra Kant.
3.O Absurdo
“O único problema filosófico verdadeiramente sério é o suicídio”, Albert Camus
Por fim, uma digressão existencialista. Acredito que “Sin City” possa ser lido como uma reflexão sobre o absurdo humano, no sentido que lhe dá Albert Camus. Camus pensava a condição humana a partir de uma cisão fundamental entre homem e mundo. Lembremo-nos: desde Kant sabemos da impossibilidade de conhecer as coisas-em-si-mesmas. Nietzsche nos comunicou a morte de Deus. Kierkegaard já nos falava de outra impossibilidade: a de sabermos se nos salvaremos, pois afinal Deus é silencioso, não nos responde. Sejamos claros: não há absolutos, e eis aqui nossa tragédia. Vivemos núpcias com o mundo, mas nele somos familiares/estrangeiros, solidários/solitários, eu/não-eu. O absurdo é o que jorra desse divórcio fundamental. O absurdo é a contradição visceral entre o desejo humano e a irracionalidade do mundo. Eis então que o absurdo faz do suicídio uma opção legítima [MARCO]? [CAMUS1]?.
Mas, atenção, Camus não pensa o absurdo como ponto de chegada e sim como ponto de partida. Ao suicídio coloca outra alternativa: a da revolta. Camus faz do absurdo um método (assim como a dúvida para Descartes) de orientação para uma busca pela superação da condição injusta e incompreensível do homem [CAMUS2]?. Não se trata de resgatar a esperança. Camus não nega o absurdo, a vida e o sofrimento. Por isso, a esperança é para ele, de certa forma, um veneno. Ela nos inebria e nos faz crer nostalgicamente numa unidade homem-mundo. A esperança quer negar o absurdo. E ao fazê-lo nega a vida e sua real condição. Por isso a revolta não é esperança, mas superação do absurdo ao afirmá-lo como dimensão “estética” da existência. Camus enunciou: “Proclamo que não creio em nada e que tudo é absurdo, mas não posso duvidar de minha própria proclamação e tenho de, no mínimo, acreditar em meu protesto. A primeira e única evidência que assim me é dada, no âmbito da experiência absurda, é a revolta.” [CAMUS2]?. Agora sim podemos responder às seguintes intrigantes perguntas:
- O que faz The Customer (Marley Shelton) na abertura do filme entregar-se nos braços de seu algoz, The Man (Josh Hartnett)?
- O que faz Marv (Mickey Rourke) obcecado, perseguir a vingança pela morte da virginal prostituta (1) Goldie e, sentado na cadeira elétrica, reinvidicar a morte (“isso é o melhor que vocês podem fazer?”)?
- O que faz Hartigan (Bruce Willis) encerrar sua desesperada missão de salvar Nancy (Jessica Alba) com um tiro na própria testa?
Aqui vai minha leitura existencialista: Hartigan, Marv e The Customer se deixaram envenenar pela esperança. Acreditaram na salvação pelo amor, pela ingenuidade original. Eles queriam acreditar num outro destino possível. Cultivaram a esperança na espera por um ideal e assim optaram pelo suicídio, cada um à sua maneira. Não é à toa que os olhos de The Customer são verdes e brilhantes: há ali esperança que The Man não faça o serviço. Mas sintomaticamente todos recorrem ao outro para realizar seu desejo: Hartigan não queria arriscar a vida de Nancy e fez dela um álibi, Marv para poupar a mãe, condenou-se à morte, e The Customer contratou um profissional. A esperança tolheu a coragem. Os suicidas então foram assistidos.
Mas há outra pergunta: por que Dwight (Clive Owen) não morre ou se deixa matar? Uma resposta tentativa: ele é um homem revoltado que reconhece o absurdo de sua condição e, ao lado (e através) dos lúmpens (as prostitutas da cidade), empenha-se, não em resgatar a inocência impossível (erro de Marv e Hartigan), mas em “descobrir um princípio de culpabilidade racional” como diria [CAMUS2]?. Seja desapaixonadamente metralhando inimigos, placidamente afogando-se numa poça de óleo de piche, ou amando (sempre e nunca) Gail (Rosário Dawson), sua valquíria. Dwight não se nega à vida e à separação absoluta do homem e do mundo. Ele diz “sim” e caminha. Dwight é um sábio cínico como o filósofo Demonax (século II A.C) para o qual “só é livre quem não tem esperança nem temor”. Só é livre quem deseja o que é ou o que pode [SPONV]?. Por essa razão foi poupado por Miller e Rodriguez.
Há com certeza interessantes paralelos entre as implicações psico-sociais da dinâmica das sociedades de redes e a visão camusiana do absurdo humano, mas isso é outra estória... A propósito: Qual a sua escolha? A revolta ou o suicídio assistido?
4.Bibliografia
[BEIGUE]? Giselle Beiguelman. “Admirável mundo cíbrido”, [online]? 2005. Disponível em: <http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/gbeiguelman/Textos>
[BEIGUE2]? Giselle Beiguelman. "Questoes relativas ao trabalho escrito], [online]? 2005. Disponível em: http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/gbeiguelman/aulas/monografia/view
[CAMUS1]? Albert Camus. O Mito de Sisifo, 1999, trad. Paulina Watch, Record.
[CAMUS2]? Alberto Camus. O Homem Revoltado, 1999, trad. Valerie Rumjanek, Record.
[CAMUS3]? Albert Camus. A Queda, 1997, trad. Valerie Rumjanek, Record.
[CASTEL]? Manuel Castells. The Rise of Network Society, cap. 6 “The space of flows” e cap.7 “The edge of forever: timeless time”, 1996, Blackwell.
[CHAUI]? Marilena Chauí. Introdução à História da Filosofia, Volume 1 – Dos Pré-socráticos a Aristóteles, 2002, Companhia das Letras.
[HARVEY]? David Harvey. The Condition of Postmodernity, cap.3, “The experience of space and time”, 1989, Blackwell.
[KANT]? Immanuel Kant. The Critique of Judgment ("A Crítica do Juízo"). trad. James Meredith, 1988, Oxford: Clarendon. As referências entre [] apontam diretamente para as seções internas da obra, o que facilitará o leitor. Citei os trechos em Inglês porque não me atrevo a traduzir Kant. Há uma excelente tradução brasileira feita pelo Prof. Valério Rohden e publicada pela editora Forense.
[KIM]? Joon Ho Kim. “Cibernética, ciborgues, e ciberespaço: notas sobre as origens da cibernética e sua reinvenção cultural”. Horiz. antropol. [online]?. Jan./June 2004, vol.10, no.21, p.199-219. ISSN 0104-7183. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832004000100009&lng=en&nrm=iso>
[KUNZ]? Hari Kunzru. “Genealogia do Ciborgue”. In Antropologia do Ciborgue, 2000, Editora Autentica, Belo Horizonte.
[MANOV]? Lev Manovich. The Language of New Media, cap.2, “The Interface”, 2000, MIT Press.
[MARCO]? Danilo Marcondes, Iniciação à História da Filosofia – Dos Pré-socráticos a Wittgenstein, 1998, Jorge Zahar.
[MILLER]? Paul Miller, aka DJ Spooky. Rhythm Science, 2004, The MIT Press.
[REIS]? Abel Reis. "O Filo Maquínico – por um nova filosofia da natureza", [online]? 2005. Disponível em: <http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/abeltreis/Debates/>
[SANTA]? Lucia Santaella. "The culture of the media as a hybrid culture", [online]? 2005. Disponível em: <http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/lsantaella/ensaios>
[SHELLEY]? Mary W. Shelley. Frankstein ou o moderno prometeu, 1998, Publifolha. apud [KIM]?.
[SPONV]? André Comte-Sponville. Dicionário Filosófico, 2004, Martins Fontes.
[TERRA]? Tiziana Terranova. "The degree zero of politics: virtual cultures and virtual social movements", [online]? 2005, transcrição de seminário na LSE. Disponível em: <http://www.noemalab.org/sections/ideas/ideas_articles/terranova_degree_zero.html>
[VIVEI]? Eduardo Viveiros de Castro. A Inconstância da Alma Selvagem, cap.7, “Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena”, 2002, Cosac & Naify.
Notas
(1)as prostitutas de “Sin City” não nasceram assim. Nasceram virgens, belas e deliciosas, mas foram lançadas a um estado de separação da vida, de exílio de si próprias. São estrangeiras em terra hostil vivendo um estado de pecado sem Deus. E, como nos diz Camus: “... o absurdo é o pecado sem Deus”.
(2)Pronuncia-se, aproximadamente, “físis”
(3)Registre-se que os antigos gregos consideravam a medicina também uma arte ou técnica – não há distinção entre esses conceitos, ambos são tékhne. O ofício do médico era produzir saúde, assim como o oleiro produzia ânforas de cerâmica. Um ponto: o que significa “produzir saúde” no quadro da medicina de hoje (imagem, psicotrópicos, etc.)?
(4)Nem por isso a Natureza no ocidente deixa de ser o “domínio das formas universais” (propriedades e relações). Viveiros de Castro [VIVEI]? propõe que o ponto de vista ocidental acerca da dualidade natureza/cultura antagoniza o ponto de vista das culturas ameríndias. As cosmologias ameríndias, ao contrário das nossas (científicas), são multinaturalistas. A perspectiva ocidental da natureza, por seu turno, é multiculturalista, vale dizer, pressupõe a natureza como campo objetivo de corpos, forças e substâncias (formas universais), e a cultura como campo da mente e do significado (formas particulares), ou seja, do sujeito humano.
(5)anomia como colapso da coesão social decorrente do acesso desigual de indivíduos aos meios legítimos para alcance de metas socialmente aceitáveis.
(6)“Ninguém poderia suportar o horror do seu semblante... agora com os nervos e músculos capazes de movimento, converteu-se em algo que nem mesmo no inferno mais dantesco se poderia conceber” [SHELLEY]?
(7)Kant trata as arte finas como obras de inspiração por oposição, por exemplo, às artes mecânicas como resultantes “da indústria e do aprendizado”. [KANT,SS 47)
(8)“A product of fine art must be recognized to be art and not nature. Nevertheless the finality in its form must appear just as free from the constraint of arbitrary rules as if it were a product of mere nature “ [KANT,SS 45]?
(9)“Genius is the innate mental aptitude (ingenium) through which nature gives the rule to art. Whatever may be the merits of this definition, and whether it is merely arbitrary, or whether it is adequate or not to the concept usually associated with the word genius (a point which the following sections have to clear up), it may still be shown at the outset that, according to this acceptation of the word, fine arts must necessarily be regarded as arts of genius” [KANT,SS 46]?
(10)“such skill cannot be communicated, but requires to be bestowed directly from the hand of nature upon each individual, and so with him it dies, awaiting the day when nature once again endows another in the same way-one who needs no more than an example to set the talent of which he is conscious at work on similar lines” [KANT,SS 47]?
(11)“For this reason some products of taste are looked on as exemplary-not meaning thereby that by imitating others taste may be acquired. For taste must be an original faculty; whereas one who imitates a model, while showing skill commensurate with his success, only displays taste as himself a critic of this model.” [KANT,SS 17]?
(12)“A poem may be very pretty and elegant, but is soulless. A narrative has precision and method, but is soulless.” [KANT,SS 49]?
